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Como confiar? Dilma Flagrada em grampo protegendo ministro suuspeito de desvios

Como confiar? Dilma Flagrada em grampo protegendo ministro suuspeito de desvios

Como confiar? Dilma anuncia pacote anticorrupção, mas até hoje não foi esclarecido o escândalo de seu envolvimento no caso de desvio no Luz Para Todos no PI.

SAIU NA ‘FOLHA DE SP’: Dilma foi informada do esquema da Eletrobras contra relatório da CGU.

Então ministra da Casa Civil, a atual  presidente da República Dilma Rousseff foi informada de estratégia para “desconstruir” na Eletrobras relatório da CGU (Controladoria-Geral da União), vinculada à Presidência da República, que apontou irregularidade no programa federal Luz para Todos. A reportagem foi destaque em reportagem do jornal Folha de São Paulo.

A informação foi transmitida a Dilma pelo ex-ministro de Minas e Energia Silas Rondeau (ele próprio alvo do relatório da controladoria) durante conversa telefônica no dia 27 de maio de 2008. O telefone de Silas estava grampeado pela Polícia Federal, que o investigava por suposto tráfico de influência no governo. A equipe de reportagem da Folha de São Paulo teve acesso ao grampo.

Duas semanas antes da conversa com Dilma, Rondeau e o diretor de Planejamento e Engenharia da Eletrobras, Valter Cardeal, aliado da petista há 25 anos no setor elétrico, tinham sido denunciados à Justiça sob a acusação de formação de quadrilha e desvio de recursos do Luz para Todos no Estado do Piauí. O escândalo no estado, na época, rendeu na prisão de várias pessoas, dentre elas o ex-presidente da antiga Cepisa Jorge Targa.

RELATÓRIO
A base da denúncia feita ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) era justamente o relatório de auditoria da CGU, o qual, informa Rondeau a Dilma, seria desconstruído. Na semana passada, a Folha revelou outro grampo da Polícia Federal, de setembro de 2008, em que Cardeal diz ao ex-ministro atuar contra o relatório dentro da estatal, ou seja, mantendo a estratégia já informada a Dilma quatro meses antes.

“Nós precisamos fazer os primeiros movimentos porque a coisa tá começando a complicar”, diz o diretor. “Eu tenho umas informações boas, tá?”, responde o ex-ministro. Ainda no diálogo telefônico, o diretor da Eletrobras afirma ter “detonado” colegas que apontaram irregularidade na estatal. A Controladoria-Geral da União informou que realmente reviu o relatório, manteve as “impropriedades” apontadas, mas isentou de responsabilidade Cardeal e outros “agentes envolvidos”, o que beneficia Rondeau.

APOIO DE DILMA
O diretor da Eletrobras e o ex-ministro foram denunciados após a Operação Navalha, realizada pela Polícia Federal em 2007, contra desvio de dinheiro público, que teve 40 mandados de prisão em nove Estados, além do Distrito Federal. Na conversa com Dilma, Rondeau agradece o apoio da então ministra logo depois de ter sido denunciado à Justiça.”Quero agradecer o seu apoio também. Tenho acompanhado”, afirma o ex-ministro de Minas e Energia.

“Silas, e como está a situação. Melhorou?”, pergunta Dilma Rousseff referindo-se à denúncia. O ex-ministro responde que passou “ontem no Rio [de Janeiro], com o pessoal. A gente está desconstruindo toda aquela maluquice” do relatório da CGU, “que foi o que trocou os pés pelas mãos e fundamentou [a denúncia]. Então, hoje vou estar de novo com o Cardeal, o pessoal todo da Eletrobras. E os advogados devem estar conectando”, diz Rondeau.”Acho que agora que tem uma coisa formal tenho como me defender”, acrescenta Rondeau. “É agora tem. Porque, se não, antes era uma coisa abstrata, né”, responde a então ministra.

Em 2011, o ex-ministro Silas Rondeau virou um dos alvos centrais do Ministério Público Federal e da Polícia Federal na Operação Faktor (ex-Boi Barrica). Investigadores encarregados do caso ouvidos pela Folha afirmam já ter elementos para indiciá-lo sob a suspeita de tráfico de influência em estatais na área de energia, incluindo a Petrobras.

Apadrinhado do senador José Sarney (PMDB-AP), Rondeau ocupa desde 2006 uma cadeira no Conselho de Administração da companhia petrolífera na cota do governo –a presidente Dilma o manteve no cargo.

Na ocasião, a PF apreendeu um manuscrito que registra o pagamento de R$ 300 mil ao lado da inscrição “Ex. Min. Sil”. Segundo a PF, “ao que tudo indica”, trata-se de Rondeau.

@muylaerte

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