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Imigrantes são primeiras vítimas de crise na OCDE

Imigrantes são primeiras vítimas de crise na OCDE

A crise econômica atingiu mais os imigrantes do que as populações nativas, em particular nos países mais afetados, como Irlanda, Espanha ou Itália, segundo um estudo da OCDE divulgado nesta segunda-feira em Paris.

Nestes países, grandes receptores de trabalhadores estrangeiros nos últimos anos, os “imigrantes foram afetados de maneira desproporcional pelo desemprego”, alerta o estudo “Encontrar suas marcas: os indicadores da OCDE sobre a integração dos imigrados 2012”.

Isto se deve, em parte, ao fato de trabalharem principalmente nos setores mais afetados pela crise e pertencerem aos “grupos mais vulneráveis no mercado de trabalho, como os jovens ou as pessoas com pouca formação”, segundo a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).

No total, a taxa de desemprego entre os imigrantes chegou a 11,9% em 2010, 2,7 pontos a mais em dez anos, mais que o dobro que o da população nativa (+1 ponto).

Também o índice de desemprego dos descendentes de imigrantes (uma média de 13,8%) é superior em mais de seis pontos percentuais a dos descendentes de nativos.

A taxa de pobreza também é superior entre os imigrantes de países que integram a OCDE: 17,3% deles vivem no patamar de pobreza, frente a 8,7% dos nativos.

No mesmo período, a crise empurrou os emigrantes dos países mais pobres em direção aos 34 integrantes da OCDE. Este organismo agrupa a maioria dos países mais ricos do planeta, entre eles Espanha, Chile e México (mas não ao Brasil ou China).

Em dez anos, o número de estrangeiros instalados na OCDE aumentou um terço, passando a 110 milhões, 9% da população total, informam os autores do estudo.

Esse número aumentou 33% em dez anos: um terço deles vive nos Estados Unidos e 10% na Alemanha. Com relação à população total de cada país, os estrangeiros são mais numerosos em Luxemburgo (38%), e na Austrália, Suíça e Israel (26%).

Desde 2000, mais de 19 milhões de pessoas imigrantes têm sido nacionalizadas na OCDE, a metade delas nos Estados Unidos.

O relatório, primeira comparação realizada no conjunto dos países da OCDE, elogia Alemanha, Dinamarca, Finlândia e Suécia, que, apesar da crise, realizaram “muitos esforços para integrar os imigrantes no mercado de trabalho nestes últimos anos”.

A análise aponta ainda que na França, Estados Unidos e Holanda, mais de 70% dos imigrantes estão instalados há mais de 10 anos. Já nos países da Europa do sul os imigrantes chegaram muito mais recentemente.

Cerca de 60% dos imigrantes da OCDE vivem nas zonas mais urbanizadas, frente a 44% dos nativos. Uma de cada quatro pessoas que vivem em moradias de má qualidade, ou em situação de superlotação, é membro de uma família de imigrantes, segundo este estudo da OCDE.

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