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Irmã e cunhado de deputado federal são soltos após prisão por extorsão

Irmã e cunhado de deputado federal são soltos após prisão por extorsão

A irmã e o cunhado do deputado federal João Bacelar, detidos pela Polícia Civil na terça-feira (27), suspeitos de montar dossiês e chantagear o parlamentar em R$ 50 milhões, foram libertados da prisão na tarde desta quarta-feira (28). O alvará de soltura foi concedido pela desembargadora Inês Maria Brito Santos Miranda, da 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA).

Deputado João Carlos Bacelar Bahia (Foto: Reprodução/ TV Bahia)Deputado João Carlos Bacelar
(Foto: Reprodução/ TV Bahia)

As prisões preventivas foram realizadas no apartamento do casal, no bairro nobre da Graça, em Salvador, em cumprimento de mandados judiciais, pelo Departamento de Crimes Contra o Patrimônio (DCCP).

A advogada do casal suspeito, Fabiana Muller, confirmou a soltura dos clientes e disse que a defesa nega “tudo o que foi veiculado” pela polícia sobre o caso. “A desembargadora alegou a ilegalidade das prisões”, disse, em rápida conversa com o G1.

A investigação foi iniciada há oito meses a pedido do parlamentar, filiado ao PR-BA, desconfiado de que informações sobre a vida pessoal e profissional estariam sendo repassadas para a imprensa. “Fizeram dossiês, distribuindo para a imprensa esses materiais, para que fossem divulgados matérias contra o deputado, para tentar prejudicar o seu mandato parlamentar”, disse o delegado Oscar Vieira, responsável pelo caso, no dia das prisões.

As apurações policiais apontam que o companheiro da irmã instalou um programa no computador do deputado que transmitia mensagens recebidas e enviadas diretamente para o dele. O suspeito, André Dumet, negou a acusação: “Eu não preciso extorquir, eu nunca extorqui ninguém. Tudo o que é meu eu adquiri com o meu suor. Não tinha programa pirata instalado, nunca existiu isso”, disse Dumet.

Dois mandados de busca e apreensão foram cumpridos também na casa dos pais do deputado e de um irmão do suspeito, que é policial federal. A polícia descarta a participação de outras pessoas no crime.

Três inquéritos foram instaurados pela polícia: um de interceptação de e-mails, outro de estelionato, porque a irmã fez uma operação ilegal de uma conta da empresa da família para o companheiro, no valor de R$ 580 mil; e o terceiro de extorsão, já que a irmã e o companheiro chegaram a exigir R$ 50 milhões do deputado para não passar informações para a imprensa. Se condenados, os dois podem pegar pena de reclusão de 10 a 19 anos.

Procurado na terça-feira (27), o advogado de João Carlos Bacelar, Gilberto Vieira, afirmou que o deputado espera que as investigações prossigam para que o caso seja esclarecido. Afirmou ainda que o deputado não ficou surpreso com o envolvimento da irmã no crime, com quem há dois anos disputa a herança da família na Justiça.

Emendas parlamentares
João Carlos Bacelar (PR-BA) estava sendo investigado pelo Conselho de Ética da Câmara dos Deputados por um esquema de venda de emendas parlamentares. O processo foi arquivado pelo órgão no mês de outubro deste ano, a pedido do deputado Wladimir Costa (PMDB-PA). Junto a Bacelar, também era alvo do processo o deputado licenciado Marcos Medrado (PDT-BA).

Segundo reportagem do jornal “O Globo”, os dois deputados teriam participado de um esquema chamado de ‘balcão de emendas’, para compra e venda de emendas parlamentares, geralmente destinadas para os municípios da base política do deputado Bacelar. De acordo com a denúncia, Bacelar “comprava” as emendas de outros parlamentares e aplicava em redutos eleitorais de seu interesse, em busca de apoio político. Medrado seria um dos deputados que vendiam.

Durante a votação do relatório no conselho, em setembro, Bacellar negou as irregularidades e afirmou que as denúncias, que foram feitas pela sua irmã, não procedem. “Sei que tenho a obrigação de vir aqui para explicar toda e qualquer denúncia […] Nada fiz de ilegal, moral ou irregular […] Como é possível uma deturpação tão absurda de um fato. É uma criminosa insana esta minha irmã [..] Isso não existe, nem nunca existe [negociação de emendas]”, disse.

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