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Oposição quer explicações de Gleisi e Gilberto Carvalho sobre operação

Oposição quer explicações de Gleisi e Gilberto Carvalho sobre operação

O PSDB protocolou nesta terça-feira (27) requerimento na Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara em que pede a convocação da ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, e do advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, para prestar explicações sobre a Operação Porto Seguro, da Polícia Federal. O DEM apresentou pedidos para convocar o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, para falar na Comissão de Segurança Pública.

Se aprovados, os requerimentos obrigariam os ministros a ir à Câmara para dar explicações sobre o suposto esquema de venda de pareceres técnicos de órgãos públicos com a finalidade de beneficiar empresas privadas. A operação da PF resultou em pelo menos 18 pessoas indiciadas (a maioria, servidores públicos), das quais seis presas.

Gleisi e Carvalho estão entre os ministros mais próximos de Dilma Rousseff, e despacham também no Palácio do Planalto. A Casa Civil e a Secretaria-Geral da Presidência informaram, por meio da assessoria de imprensa, que não vão se pronunciar sobre os requerimentos.

Para o deputado Antonio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP), Gleisi Hoffmann deve prestar esclarecimentos em nome da presidente da República sobre a concessão de pareceres técnicos mediante propina em órgãos ligados ao Planalto, como a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e a Agência Nacional de Águas (ANA).

“Esse escândalo envolve a Casa Civil, já que ela é o coração do governo. Isso tudo é impossível que esteja ocorrendo sem o conhecimento do Planalto, da presidente Dilma Rousseff. No mínimo a Gleisi Hoffmann tem que dar explicações em nome da presidente Dilma”, disse.

Ainda na Comissão Mista de Fiscalização e Controle, foram protocolados requerimentos de convite aos irmãos Paulo Rodrigues Vieira, diretor de Hidrologia da Agência Nacional de Águas (ANA), e Rubens Carlos Vieira, diretor de Infraestrutura Aeroportuária da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Os dois foram presos pela Polícia Federal e estão afastados dos seus cargos.

Também tem requerimento para falar na comissão, o diretor-adjunto da Advocacia-Geral da União, José Weber Holanda, que foi exonerado devido a suspeitas de participação no esquema. Ele era auxiliar direto de Adams.

Na Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência, foi protocolado requerimento de convite à ex-chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo Rosemary Nóvoa Noronha. Indicada para o cargo no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Rosemary é suspeita de integrar o esquema de venda de pareceres.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, já tem convite aprovado para falar na Comissão de Segurança Pública da Câmara. Ele havia sido chamado a prestar explicações sobre a violência em São Paulo, mas agora será indagado sobre a operação da Polícia Federal. A presença dele está prevista para a próxima terça-feira (4).

Governo
O líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), afirmou que apóia a vinda de Cardozo à Câmara, mas disse que vai rejeitar convites para que servidores indiciados prestem esclarecimentos na Casa.

“Achamos apropriado que o ministro José Eduardo Cardozo, que é quem comanda a Polícia Federal, venha através de um convite explicar toda essa operação, a sua dimensão, as suas implicações. Quanto a outros pedidos, é público e notório que há exagero, até porque querem chamar aqui pessoas que já foram demitidas”, afirmou.

Sobre a possibilidade de chamar o advogado-geral da União, Luis Inácio Adams, Chinaglia afirmou que o governo prefere aguardar o resultado do depoimento de Cardozo.

Chinaglia também saiu em defesa da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula, dizendo que as investigações em órgãos públicos revelam que o governo dá “autonomia” à Polícia Federal.

“Sob os governos Lula e Dilma a Polícia Federal não está sendo impedida de fazer o seu dever de ofício”, disse. Ele afirmou ainda que Dilma já tomou as providências necessárias diante das denúncias de irregularidades. “A presidente Dilma demitiu todos os envolvidos na investigação da PF. Na nossa opinião, isso é suficiente.”

Sobre informações de que teria havido “manobra” na indicação do nome de Paulo Vieira como diretor de Hidrologia da Agência Nacional de Águas (ANA), Chinaglia destacou que o Senado aprovou o nome e que é um poder independente.

Vieira, que chegou a ter o nome rejeitado pelo Senado em 2009, teve a indicação aprovada em 2010, após ter seu nome novamente apresentado no Senado. Ele foi preso na última sexta-feira (23) pela Polícia Federal (PF), sob a acusação de envolvimento em uma organização criminosa que cometia fraudes em órgãos federais. O ex-diretor é apontado pela PF como chefe do grupo que supostamente cooptava servidores públicos para fraudar pareceres técnicos e beneficiar empresários.

Parlamentares da oposição afirmaram que estudam convocar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, já que Vieira teria sido indicado no governo dele para a diretoria da ANA.

“Aí é uma tentativa de envolver indevidamente o presidente Lula. Portanto, a oposição precisa arrumar um outro discurso, arrumar propostas para o país, porque tentar trazer o presidente para envolver aquilo que é uma decisão soberana do Senado Federal , então quem sabe eles poderiam convocar o presidente do Senado e todos os senadores, tanto da base quanto do governo, quanto da oposição que aprovaram o Paulo Vieira”, disse Chinaglia.

Para o líder do governo, “envolver o presidente Lula é imaginar que um presidente da República controle com mão de ferro cada funcionário do governo.”

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