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Juiz receberá defesa dos três sem-terra por escrito em Uberlândia

Juiz receberá defesa dos três sem-terra por escrito em Uberlândia

Audiência Triplo Homicídio (Foto: Felipe Santos/G1)Testemunha presta depoimento ao juiz
(Foto: Felipe Santos/G1)

O juiz Dimas Borges de Paula, responsável pelo julgamento de seis pessoas acusadas pelo assassinato de três integrantes do Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST) em março deste ano, autorizou na madrugada desta terça-feira (27) que os advogados dos réus entreguem a defesa por escrito. A decisão ocorreu depois que o Ministério Público fez as alegações de acusação durante a audiência de instrução. Apesar de não ter um prazo estipulado para a entrega do material, o juiz pretende entregar a decisão em 30 dias.

A audiência, que teve início no início da tarde desta segunda-feira (26), foi encerrada nesta madrugada. Foram ouvidas as testemunhas de defesa e acusação e os seis réus: José Alves de Souza, vulgo Zé Roleta, de 57 anos, acusado de ser o mandante do crime; Roberto Xavier Dantas, de 44 anos, também acusado de ser o mentor; Rodrigo Cardoso Fric, de 25 anos, apontado como o executor dos disparos; Willian Gonçalves da Silva, de 20 anos, apontado como olheiro do grupo; Rafael Henrique Cardoso, de 24 anos, motorista do veículo; e Rogério Carvalho Lucas, de 29 anos, que escondeu o carro após o fato.

O Ministério Público fez a acusação em audiência, mas os advogados de defesa foram autorizados a se pronunciar por escrito. Ao todo, nove advogados e um promotor participaram da audiência de instrução. Depois de ouvir as acusações e defesas, o juiz decide se os acusados vão a júri, se serão absolvidos ou se será arquivado pelo prazo de prescrição de 20 anos para tentar levantar provas contra ou a favor do réu. As famílias das vítimas e dos réus acompanham todo o processo.

Eles respondem por triplo homicídio, triplamente qualificado e formação de quadrilha. A pena, segundo a Vara de Crime Contra a Pessoa, pode chegar a 90 anos de prisão para cada um deles. O sucesso da investigação se deu pela quebra de sigilo telefônico da estação de Miraporanga. A partir daí foram feitos cruzamentos de informações até chegarem aos números dos suspeitos, que foram interceptados. Todo o procedimento, segundo a Vara de Crime Contra a Pessoa, foi feito com autorização da justiça.

O crime
Os três agricultores que moravam em um assentamento no município de Prata, no Triângulo Mineiro, foram executados no Distrito de Miraporanga, em Uberlândia, com tiros na cabeça após deixarem o acampamento São José dos Cravos. Uma criança de cinco anos foi a única sobrevivente da chacina e a responsável por pedir socorro.

Audiência Triplo Homicídio (Foto: Felipe Santos/G1)Ao todo, 14 testemunhas serão ouvidas
(Foto: Felipe Santos/G1)

Cinco envolvidos no crime foram apresentados no dia 21 de junho na delegacia da Polícia Civil. Além do suspeito preso em Gravataí, na região metropolitana de Porto Alegre (RS), um dia antes outros quatro envolvidos, entre eles os dois supostos mandantes do crime, presos em ações anteriores, também foram apresentados pela polícia.

De acordo com a reconstituição feita no dia 27 de junho, os suspeitos que já conheciam as vítimas estavam na estrada de terra e deram sinal de luz para o carro ocupado pelos integrantes do movimento pararem. Lado a lado, o atirador começou os disparos. Primeiro no motorista e, em seguida, no passageiro que tentou fugir, mas levou mais um tiro. Depois o suspeito voltou e deu mais um tiro no motorista e, por fim, mais dois na mulher de 48 anos, que estava no banco de trás do veículo com uma criança, que não teve ferimentos, mas presenciou todo a ação.

Após o crime, os suspeitos pegaram uma estrada vicinal que dá acesso à BR-050 e, segundo o atirador, o revólver 38 foi jogado no Rio Grande, que fica na divisa de Minas Gerais com São Paulo. O alvo do crime, segundo a Polícia Civil, era a mulher que, supostamente teria denunciado, em 2009, o tráfico na região que resultou na apreensão de drogas. Segundo a Polícia Civil, todos que morreram era inocentes.

Os membros do MLST assassinados coordenavam um acampamento em Uberlândia. A fazenda São José dos Cravos é uma área de conflito que foi ocupada por 80 famílias. Mesmo realizando uma audiência no início de março, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) não conseguiu diminuir o clima de tensão da propriedade.

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